Fluência em métodos ágeis? Uma releitura do Agile Fluency(™) Model

Abaixo segue uma releitura/interpretação após ter participado de um workshop sobre o Agile Fluency Model com Diana Larsen.

Uma das partes da proposta, é tratar métodos ágeis da mesma forma que tratamos a fluência de um determinado idioma. Dependendo do indivíduo, as necessidades variam. Vamos pegar o inglês como exemplo, se a pessoa vai passar férias nos Estados Unidos, ela precisa conhecer o básico (pedir uma cerveja, perguntar aonde é o banheiro, e etc). Se outra pessoa quer ser professor de inglês, o conhecimento precisa ser muito mais profundo a ponto de entender as regras gramaticais e possuir um vocabulário mais extenso.

Traçando um paralelo, uma determinada organização pode optar por um determinado nível de fluência ágil (Foco em Valor; Entrega de Valor; Otimizar o Valor; Otimizar o Sistema). Um cuidado é que neste modelo, o objetivo não é com que todas organizações obtenham a fluência para Otimizar o Sistema, mas sim que cada uma entenda quais os investimentos e os benefícios almejados.

parte1

As curvas, são vistas como investimentos organizacionais que são necessários para chegar no próximo nível de fluência.

A primeira curva do modelo (SHIFT: Team Culture), se trata de formar uma equipe. Por mais óbvio que possa parecer, juntar um grupo de pessoas não significa que este grupo se torna uma equipe. Além da formação da equipe, a equipe cria suas próprias normas, regras, práticas, ferramentas, hábitos e demais características formam a cultura daquela equipe. Outra obviedade é que a equipe não necessariamente possui uma liberdade total para definir quaisquer elementos desta lista, especialmente em empresas maiores e tradicionais existem restrições organizacionais que servem como orientação para as equipes. Exemplos: ferramentas corporativas, práticas corporativas, horário de trabalho, vestimenta e outros.

parte2

Foco no Valor: está relacionado a colaboração, transparência e economia em custos e gastos a longo prazo.

parte3

A próxima curva (SHIFT: Team Skills), está relacionada com as habilidades e capacidades da equipe. Entendimento do escopo de atuação da equipe, difusão e compartilhamento dos conhecimentos e habilidades (sem super-heróis fazendo parte da equipe). Alguns exemplos de práticas de engenharia de software que contemplam esta curva são: TDD (para auxiliar no design da solução e contribuir com a qualidade), testes unitários, simplicidade no design, programação em par (pair programming), utilização de integração contínua (CI – continuous integration), repositório único para o código fonte e outras..

parte4

Entrega de Valor: Alta produtividade da equipe de desenvolvimento e mínima quantidade de defeitos em produção permitem que a organização tenha uma cadência de entrega mais frequente. Esta frequência, impulsiona os usuários finais atendendo as rápidas necessidades e requisitos de mercado na velocidade em que o mercado solicita (e em alguns casos exige).

parte5

A próxima curva (SHIFT: Organizational Structure), espera que a organização confie nas equipes e na metodologia Ágil. Esta virada, impacta nas relações de poder dos profissionais, no controle e também na mudança da forma de trabalho que já é conhecida.

parte6

Otimizar  o Valor: O time é responsável por construir o melhor produto possível que o investimento atual pode pagar. Nesta etapa, a organização aproxima especialistas de negócio como profissionais que fazem parte da entrega com alocação em tempo integral, como parte da equipe. Aqui algumas práticas utilizadas pela equipe incluem mas não se limitam a: descobrimento de funcionalidades e requisitos com os usuários, concepções de produtos utilizando técnicas de Design Thinking, Lean Startup e outras, dinâmicas de team building criando relacionamentos entre os integrantes das equipes de desenvolvimento, times perenes que são capazes de desempenhar quaisquer atividades necessárias entre a ideação até o momento em que o usuário final diz “obrigado!”.

parte7

A próxima curva (SHIFT: Organizational Culture), este investimento se trata de inovar e criar novas formas para se trabalhar dentro da organização com métodos Ágeis. Novas práticas de gestão, a organização adota novos modelos mentais de gestão, cria novos comportamentos, aprende a valorizar novas práticas e em geral, uma abertura para mudança.

parte8

Otimizar o Sistema: Estes times, investem o seu tempo de acordo com as necessidades de negócio. Ou seja, se o produto estiver sob controle e houver espaço para apoiar outra equipe mais crítica da organização, estes profissionais conseguem contribuir positivamente. Estes times utilizam técnicas inovadoras de desenvolvimento e criação de produtos. Pensamento sistêmico, gestão de livro aberto, auto organização são alguns exemplos de práticas que amadurecem para suportar a otimização do sistema.

A próxima curva ainda não foi definida, tão pouco qual é a quinta área do modelo. Ainda é bem raro se encontrar organizações que estejam trabalhando com desenvolvimento de software de forma madura na Otimização de Valor.

releitura agile fluency model

Fontes utilizadas:

Minha vivência no treinamento de 8 horas sobre Agile Fluency Model
http://www.agilefluency.org/model.php
http://martinfowler.com/articles/agileFluency.html
https://www.perforce.com/blog/140721/continuous-delivery-power-embedded-teams

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